Empreender é um processo que guarda semelhança com vários outros ao longo da vida. Uma analogia comum é a de compromissos pessoais ? do ?casamento? de longo prazo com cofounders e investidores anjos e de venture capital. Outra são os cuidados com seu negócio e produto como se fossem um ?filho?.
Eu, como bom apreciador de Fórmula 1 e fã de carteirinha do Ayrton Senna, prefiro a analogia com as corridas de alta velocidade. Em ambas, fica evidente a fundamental importância do talento em meio a um consistente trabalho em equipe, a preparação e planejamento minuciosos, o contínuo aprendizado e melhoria com erros, o ritmo de crescimento alucinado, a feroz competição com os demais times, a superação de recordes, a criação de marcas valiosíssimas, a busca pela inovação e lançamentos de modelos cada vez mais modernos, os vultosos investimentos para sustentar o sucesso nas pistas.
Mas, diante de tantas características, salta aos olhos uma que é ao mesmo tempo uma semelhança, e, para muitos empreendedores incautos, uma enorme diferença: o reabastecimento. Encher o tanque. E, na nossa versão startupeira, o fundraising, o levantamento de capital, a injeção de recursos em um novo round de investimentos.
Pergunta: o que você acharia se um piloto descesse do cockpit, enchesse o tanque após convencer os responsáveis pelo combustível e, em seguida, estufasse o peito, orgulhoso? Mais do que isso, postasse nas mídias sociais sobre esta gloriosa ?reabastecida? e que agora é um ?empreendedor série A?? Ou contratasse uma assessoria para escrever e depois de dar uma exclusiva para a imprensa de negócios reverberar como ele vinha performando bem, ganhando velocidade e mostrar que agora ?conseguiu encher o tanque??
